sexta-feira, 29 de julho de 2011

Sou agro?

Nos últimos dias, uma série de propagandas tem tomado espaço na televisão para defender a bandeira "Sou Agro". Os vídeos usam atores famosos para mostrar que as ações do agronegócio estão intimamente ligadas ao consumidor (principalmente urbano). A ideia de arrebanhar simpatizantes ao que ruralistas chamam de movimento permanente esconde a ofensiva de angariar o prestígio da opinião pública e desviar a atenção das más práticas sócio-ambientais fomentadas pelo modelo patronal do agronegócio.
A perspicácia da publicidade nessa campanha associa atividades cotidianas à importância econômica do setor para o país. Entretanto, quando cita, por exemplo, os alimentos produzidos pelo agronegócio, omite que o Brasil é campeão mundial em consumo de agrotóxicos. Aliás, omite também que 70% do alimento consumido pelo povo brasileiro não advém desse oligopólio ruralista que participa da campanha, mas sim da agricultura familiar.
Mas quem patrocina essas ações? Bünge, Monsanto, Nestlé, Cargill, Aprosoja, Bracelpa (Associação Brasileira de Celulose e Papel) e mais algumas organizações pró-agronegócio. Ao contrário do que diz o slogan do "movimento", essas organizações não fundamentam suas atividades "para o Brasil crescer forte e saudável". Exemplos? A Monsanto é o melhor deles: promove pesquisas sobre transgênicos, vende suas sementes e agrotóxicos específicos para esses organismos, torna o produtor refém de suas patentes e desencadeia uma série de impactos ambientais, como a contaminação de lavouras não-transgênicas por variedades com modificações genéticas, dentre outras consequência funestas. E como a Nestlé fala em saúde com seus alimentos cheios de açúcar, aditivos químicos e afins? Os impactos da produção de celulose e papel, por sua vez, são descomunais: a monocultura de eucaliptos tem sido chamada pelos cientistas de deserto verde, pois degrada o solo e suprime a flora e fauna locais, expropria áreas que poderiam ser usadas para prover diversos alimentos e propulsiona o êxodo dos habitantes da região por conta da falta de trabalho. Essas são apenas algumas demonstrações da infindável lista de malefícios produzidos por esses tais agros.
A estratégia de se aproximar dos consumidores das cidades (atualmente cerca de 85% da população brasileira moram em área urbana) é uma tentativa de incutir uma lavagem cerebral nessa parcela majoritária da sociedade, configurando, assim, a prática de greenwashing. O site do "Sou Agro" convida os cidadãos a aderirem à campanha que se diz baseada no desenvolvimento sustentável. Mas, como existiria desenvolvimento sustentável sem o equilíbrio de seu tripé: preservação ambiental, justiça social e viabilidade econômica se esse último quesito é o mais relevante para o agromodelo hegemônico em terras tupiniquins?
Responda rápido: Você compactua com o desrespeito ao meio ambiente, o trabalho degradante, a concentração de terras, a ameaça à soberania alimentar? E considera correto empresas que não respeitam a natureza fazerem campanhas ditas sustentáveis? Parabéns, se você disse sim, então, você é agro e contribui para um país socialmente injusto, ecologicamente incorreto e economicamente (apenas isso) lucrativo! Ah, você é agro, mas ao contrário do que afirma a propaganda, você não é cidadão.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Educação ambiental para quem?

Vivemos um tempo de transição. As mudanças climáticas e suas consequências reiteram a necessidade de um novo padrão de integração do homem à natureza. Logo, a educação ambiental, instituída como lei no Brasil em 1999, torna-se imprescindível. Porém, o que fazer quando essa educação deseduca?
Analisemos: quem são os educadores ambientais? Em alguns casos, egressos do curso de biologia interessados na área da ecologia e também profissionais de gestão ambiental. Aí reside o problema: em geral, a formação dos gestores ambientais norteia-se pelo capitalismo, é voltada para o empresariado e caracteriza-se pelo servilismo mercadológico. As faculdades formam os profissionais desejados, isto é, aqueles capazes de implementar projetos para mitigar efeitos nefastos de indústrias e afins para deformar cidadãos crentes de que estão tendo acesso à educação ambiental.
O que dizer então de "educadores ambientais" participantes de esquemas danosos ao meio ambiente? Realizam projetos pretensamente ecológicos que desviam o foco das ações maléficas das organizações das quais fazem parte. E o pior não é isso. Acreditem! O pior é o estado acrítico ao qual esse profissional é submetido durante sua (de)formação: assim, ele passa a acreditar que suas práticas de greenwashing não são efetivamente greenwashing e, então, se rende à sórdida teia da lavagem verde.  Esse "educador" acredita que sua ação é benéfica. Mas a quem servem esses benefícios?
È preciso que a educação ambiental rompa as correntes da subserviência e liberte-se da senzala do capital. Educar para ação ecológica verdadeiramente consciente exige desprendimento de interesses privados, comprometimento com o interesse público, ressignificação do modelo pedagógico (atualmente voltado para a lógica patronal), supremacia da ética e desconfiômetro ligado. Uma nova educação ambiental, alinhada com a proteção da natureza e genuinamente ambientalista é fundamental para estabelecer a sociedade sustentável. Caso contrário, a educação ambiental não será nada além de uma profissão a serviço do capitalismo. Do prisma da sociedade, um completo desserviço.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Uma lenda ecológica...

O que é, o que é? Pode ser mulher, homem ou criança. Guarda a floresta e com seus pés invertidos apronta muitas peripécias contra os inimigos da natureza. Se você respondeu curupira, acertou! Essa figura vinda do mágico universo da cultura popular é uma árdua protetora do meio ambiente. Mas sua forma mais conhecida é a narrada por indígenas que o descrevem como um menino de cerca de 7 anos.
Aqueles que juram ter cruzado com esse ser mítico em seu caminho, contam que ele oferece perigo somente para quem adentra a mata com más intenções, principalmente caçar e cortar lenha.
A sabedoria do povo diz: o curupira protege quem tira da natureza apenas o necessário para o auto-sustento e vive da mata sem agredi-la. Verdade ou mentira, em tempos de desenvolvimento a qualquer custo, com a construção da hidrelétrica de Belo Monte, a  imininência de um novo e ameaçador código florestal entre outras práticas nada ecológicas, o curupira terá muito trabalho!
Leia mais sobre essa rica figura da cultura popular brasileira clicando aqui!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Evento Internacional sobre Desastres Ambientais e Sustentabilidade em SC


A Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) promove em Florianópolis o II Workshop Internacional de História do Ambiente: Desastres Ambientais e Sustentabilidade. O objetivo é difundir a conscientização, o debate e a capacitação do participantes por meio de um novo modelo de relacionamento entre homem e natureza. Mesas redondas, oficinas e conferências fazem parte da extensa programação.
O evento promete analisar a questão ambiental baseada na perspectiva histórica dos desastres ambientais rumo ao desenvolvimento sustentável.
Quando?
15 a 19 de novembro

Onde?
Avenida Dom João Becker, 222 - Praia dos Ingleses - Florianópolis (SC) - Praiatur Hotel

O período de inscrições já está aberto. Para mais informações, acesse o site!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Krajcberg: quando ambientalismo e arte se encontram


Galhos retorcidos, folhas secas, troncos carbonizados, material orgânico em decomposição. Esculturas com matérias-primas extraídas da natureza, obras permeadas pela crítica e conscientização ambiental. A natureza morta dá vida à arte do polonês Frans Krajcberg. 
A trajetória do artista é desenhada em harmonia com a ecologia desde o princípio. Mas, foi no início da década de 60, que seu trabalho tomaria as formas que tem hoje. Nessa fase, Krajcberg pintava sob influências expressionistas e cubistas. Foi então que a interação com as terras de Ibiza, na Espanha, concretizou-se como o rebento das esculturas do artista. Através dessa experiência direta com o barro, Krajcberg criou a marca de seu trabalho: a apropriação dos recursos naturais para interpretá-los e provocar questionamentos.
A poética de Krajcberg é marcada pelo equilíbrio entre o domínio da natureza e a capacidade de recriá-la. Não se trata de uma mera reprodução. A contemplação de suas obras torna evidente a atmosfera contestadora de seu trabalho. A crítica aos padrões equivocados das relações de distanciamento entre homem e natureza e suas consequências funestas afloram o brilhantismo do artista.
Radicado no Brasil e naturalizado brasileiro, atualmente ele mantém uma reserva ecológica de 1,2 km² no sítio onde vive em Nova Viçosa (BA). Lá, ele semeou mais de 10 mil mudas de espécies nativas e pretende criar um museu que levará seu nome. Agora, aos 90 anos, consagra-se ao despertar para o poder do realismo da fotografia em suscitar dúvidas sobre o transe social e o colapso ambiental que vivemos. Ao apreciar Krajcberg, não é temeridade dizer, enfim, que talvez não seja ele quem se apropria da natureza. Mas sim, ela quem o domina para fazer ouvir sua súplica por um direito legítimo: o direito à vida.

Para saber mais sobre o fascinante universo desse grande artista, clique aqui!

Ativismo, arte e ecologia no II Encontro Cuida Jovens em Recife


Congregar jovens em prol da militância ecológica é o objetivo do "II Encontro Cuida Jovens", que traz nesta edição o tema "Movimentos Sociais e Meio Ambiente: A Juventude em Ação!". Na programação, espaço para palestra sobre "Os movimentos sociais e suas juventudes", vivência musical, plenária e mais!

Quanto?
R$: 30,00 (inclui fita de identificação, material para anotações, almoço e certificado)
Quando?
28/08
Onde?
Faculdade Frassinetti do Recife (FAFIRE) - Avenida Conde da Boa Vista, 921 - Boa Vista, Recife

Para conferir todas as atividades e obter mais informações, clique aqui!
Veja também:
http://www.youtube.com/watch?v=txX5XVeeb4c