quarta-feira, 22 de junho de 2011

Petição pelo fim do Trabalho Escravo

Desapropriar as terras nas quais o regime de escravidão ainda ocorre e direcionar essas propriedades à Reforma Agrária: eis a reivindicação do abaixo-assinado em prol da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional do Trabalho Escravo (PEC 438).
A proposta visa reforçar a função social da terra, direito garantido pela Carta Magna brasileira. Vale lembrar que embora o crime de trabalho escravo já esteja previsto no Código Penal, a aprovação dessa PEC será um duro golpe nos escravagistas, pois se trata de uma medida que envolve a questão fundiária e, por consequência, afeta diretamente a conta bancária daqueles que violam direitos humanos. Se você ainda não assinou a petição, exija que a PEC 438 seja votada e aprovada! É só clicar aqui!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Da contracultura à Cultura Permanente

Década de 70. O canto rouco de Janis e a hipnótica guitarra de Hendrix extasiam grande parte da juventude. Essa juventude, por sua vez, diz não ao "american way of life" e se desnuda de corpos e preconceitos para erguer a bandeira da liberdade. No Brasil, "raul-seixistas" bradam um grande "viva à sociedade alternativa." Em busca desse altermundo, no ápice dos movimentos contraculturais, dois jovens habitantes do outro lado do planeta decidem "caminhar contra o vento, sem lenço, sem documento." Formava-se o embrião do que viria a ser uma experiência visionária que resultaria na sistematização de um conhecimento não tão difuso quanto deveria, mas de expressiva importância para o ambientalismo: a Permacultura.
A palavra Permacultura tem sua raiz na Agricultura Permanente e foi publicada pela primeira vez no livro Permacultura Um (1978). Porém, nos dias de hoje, esse conceito foi ampliado e concerne a uma cultura permanente. Tudo começou quando o australiano Bill Mollison resolveu se mudar para uma propriedade e cultivá-la sem dinheiro algum. A ideia era lançar mão dos recursos locais para viver em plena integração com a natureza. Ao lado de David Holmgren, Mollison focou suas atividades, a princípio, na produção agrícola. Posteriormente, a dupla abriu o leque de experimentações para buscar alternativas sustentáveis, trabalhando com energias renováveis e bioconstrução, entre outros. 
A Permacultura tem sua própria ética, baseada no cuidado com a terra, com as pessoas e a partilha dos excedentes aliada aos limites ao consumo e à reprodução. Sua filosofia parte do preceito do trabalho com e a favor da natureza. Por se tratar de um planejamento integrado ao meio ambiente, também possui princípios de Design, como, por exemplo: responsabilidade pelas gerações futuras, cooperação, integração e reciclagem de energia.
A prática permacultural resgata conhecimentos regionais e/ou tradicionais para criar ambientes sustentáveis. Além disso, por ser uma ciência holística, ou seja, trabalhar a ecologia em todas as suas dimensões, a Permacultura pode ter seus conhecimentos aplicados em diversas áreas do conhecimento. Talvez o seu maior avanço parta de uma simples atitude: a observação da natureza. Os princípios permaculturais são a reprodução do que acontece na meio ambiente. Por meio dessa reflexão, foi possível desenvolver a sabedoria capaz de prover uma cultura permanente a fim de suprir as demandas locais.
Há cursos livres sobre Permacultura oferecidos principalmente nas comunidades e instituições que a praticam. A formação básica de um permacultor é O PDC (Curso Certificado de Design em Pemacultura, em português) que segue normativas reconhecidas internacionalmente. No entanto, embora o currículo siga um determinado padrão, o conteúdo é flexibilizado e ínfluenciado pelo local e por quem o PDC é ministrado.

Quer saber mais? Acesse:

E que tal descobrir mais sobre a Permacultura entrando em contato com quem a vivencia? Então, é só se cadastrar na Permacultura Social Brasileira: uma teia de relacionamentos dedicada à busca de uma vida sustentável!

E o inverno chegou...


Para muitos, essa época é sinônimo de elegância. Corpos cobertos com muitas roupas simbolizam a reclusão típica dos dias frios. Na natureza, algumas espécies hibernam. As formigas se nutrem com o alimento juntado prévia e sabiamente no período de fartura, para que não faltasse nos dias de escassez. Em tempos de mudanças climáticas, há, contudo, aqueles que reclamem da inconstância das estações. Porém, a importância do advento da invernada não está simplesmente nas características do clima durante o tempo em que vigora. Essa é uma fase de reflexão. Quem nunca ficou mais introspectivo no frio? É que as baixas temperaturas são uma invocação ao recolhimento, não só físico, como espiritual. O frio pode ser um convite ao ócio do corpo e a oportunidade para entrar em contato com nosso Eu interior. Apreciar um bom chá, deliciar-se com os aromas dos incensos, meditar, observar os ciclos de Gaia e reconhecer com humildade sua sapiência. Simplesmente viver o presente, sem pré-ocupações! A natureza chama...

Para se deleitar:
Often a Bird - Wim Mertens

sábado, 18 de junho de 2011

Encontrarte Natureza: Ponto de Encontro de Artistas em Mogi das Cruzes (SP)


Contato
Daniel: (11)6840-8656
Júlia: (11)6910-1613

Para saber mais, é só acessar o blog da Estação Bem Te Vi!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

"Lixo, moda e preconceito" são tema de evento gratuito em SP


Inicialmente era apenas um programa de rádio. Agora, o Estéreo Saci, projeto do Itaú Cultural, alça novos vôos e traz à tona o tema "Lixo, moda e preconceito".
Da produção colaborativa de um filme sobre a proposta central do evento à realização de oficinas, discussões e apresentações artísticas, o Estéreo Saci 2011 promete questionar e enriquecer, transversalmente, conceitos como sustentabilidade, consumo, massificação comportamental e tolerância à diversidade.
Dentre a temática ambiental, destaque para o debate "Pra onde vai o seu lixo?", mediado por Alexandre Ferrari, no dia 21 (terça-feira). Muito informativa, reflexiva e impactante promete ser a visita ao aterro sanitário de Caieiras, programada para o dia seguinte. A jornada começou dia 7 deste mês, mas ainda dá tempo de conferir muitas atividades!

Quando?
Até dia 26 de Junho
Quanto?
Entrada Franca
Onde?
Itaú Cultural: Avenida Paulista 149, Paraíso, São Paulo - SP (próximo à estação Brigadeiro do Metrô)

Para mais informações e programação completa, clique aqui!

Viver sem carne: por que não?


Para quem não convive com um vegetariano ou nunca parou para pensar no assunto, a primeira ideia que talvez venha à mente é a de que o vegetarianismo, é, por essência, uma dieta baseada no consumo de muita salada. Mas, espere! Nem todo vegetariano é um ávido devorador de folhas, uma espécie de homem lagarta. Ah! Ser vegetariano nem sempre corresponde, como muitos pensam, a uma alimentação saudável (existem vegetarianos que se alimentam sem preocupações nutricionais). Em última instância, vegetarianismo não é deixar de comer apenas carne vermelha. Pergunte a um vegetariano se uma comida com frango ou peixe já não lhe foi oferecida quando ele afirmou não comer carne. Tragicômico! Você pode estar pensando: oras, o que é de fato vegetarianismo?
Ser vegetariano é não se alimentar de nenhum tipo de carne. Porém, o vegetarianismo é um universo recheado de tendências, tanto alimentares, quanto motivacionais. Basicamente, a dieta se divide em ovolactovegetariana (ou seja, aqueles que apenas não consomem carnes), lactovegetariana (pessoas que não consomem carne nem ovos), ovovegetarianos (são aquelas pessoas que não comem carne nem leite/derivados; essa opção é pouco comum) e por fim os vegetarianos estritos (grupo que não consome nenhum alimento de origem animal e no qual se enquadram os veganos, sobre os quais falaremos mais adiante).
Alguns grupos mais específicos e não menos interessantes também marcam presença no caldeirão da alimentação sem carne: os frugívoros, crudívoros e freegans são bons exemplos. A dieta crudívora baseia-se em alimentos vivos, isto é, sem cozimento. Assim, os nutrientes são mais bem aproveitados. Já os frutarianos, como o próprio nome prenuncia, tem sua alimentação baseada em frutas e também sementes cruas. Para os adeptos, essa forma de se alimentar é sinônimo de saúde e respeito ao meio ambiente e proporciona o auto-aprimoramento. Os freegans, por sua vez, tem um princípio bastante curioso: aliam alimentação à protesto, vivem do desperdício da sociedade, fazendo frente ao consumismo e ao capitalismo. Não compram seus alimentos e por isso às vezes consomem produtos de origem animal. Diante disso, são comuns as polêmicas por essa maneira de viver. A favor do freeganismo, pesa um fato: um pedaço de carne jogado no lixo será simplesmente lixo, se não for consumido. Um alimento vegano comprado gerará mais resíduos. Complexo? Questionador.
Muitas razões levam as pessoas a aderirem à dieta vegetariana. Há aquelas que nascem em famílias adeptas e seguem naturalmente a alimentação sem carne. Dentre as motivações, o respeito pelos animais geralmente figura na primeira colocação. Entretanto, existem controvérsias sobre esse argumento, pois esse raciocínio colocaria os animais em escala inferior ao homem, sendo, portanto, um pensamento especista. Há quem não coma carne apenas por razões estéticas ou de saúde. Há, também, quem escolha esse modo de vida por questões religiosas, éticas ou pelo meio ambiente (em tempo: para produzir um quilo de carne bovina, são gastos cerca de 18000 litros de água e emitidos 24 kg de gases de efeito estufa; também são usados cerca de 14 vezes mais energia para produzir um quilo de vitela, em comparação à mesma quantidade de batatas).
Todavia, dentre todos os grupos de vegetarianos, existe um que sobressai por transcender a dieta e invadir o campo dos princípios, do estilo de vida. Trata-se do veganismo, que exclui não só alimentos de origem animal da dieta, como produtos e serviços que demandem exploração dos animais. Os veganos buscam não consumir nada que seja resultado de experimentação animal nem frequentar locais cujas práticas não sejam alinhadas com seus ideais. Os vegans são norteados pela prática abolicionista e por isso tem se de policiar para viver sem demandar sofrimento animal. Geralmente, são consumidores conscientes e tem por hábito "investigar" as empresas e verificar se são realmente veganas ou atendem apenas aos apelos comerciais da sustentabilidade. Mas isso não quer dizer que não hajam veganos consumistas, afinal, isso decorre de posturas individuais.
Para quem não é vegetariano, fica a dica: optar por isso sem saber o porquê é fadar sua escolha ao fracasso. Então, pesquise, informe-se e descubra que ser vegetariano também é mostrar quem você é e no que você acredita! Será mesmo justo alimentar sua vida em detrimento de outra vida? Sua consciência e o planeta agradecem.

"Os animais existem por suas próprias razões. Eles não foram feitos para humanos, assim como negros não foram feitos para brancos ou mulheres para os homens." (Alice Walker)

Quer saber mais? Acesse o site do Vegetarianismo! Receitinhas você encontra aqui!
Veja mais sobre os impactos da produção de carne na cartilha elaborada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB).

terça-feira, 14 de junho de 2011

Brasil: O desenvolvimento sustentável passa pela Reforma Agrária

Foto: Sebastião Salgado  (retirada do site Terra de Direitos)
Qual o maior problema ambiental que assola o Brasil? Está lançado jogo. Provavelmente, a resposta desmatamento ganhará disparada. E sim, o desmatamento é uma das principais causas da degradação do meio ambiente no Brasil. Porém, isso é apenas a ponta do iceberg. O que está por trás de tudo isso? Os madeireiros? Políticos e demais funcionários públicos corruptos? O agronegócio? Estas respostas estão corretas. Mas há uma opção que sintetiza todas essas assertivas: o capitalismo. Está achando esse texto polarizado demais? Pois é. Quem disse que não era para ser? Vamos lá.
Recentemente, alguns casos de violência no meio rural ganharam destaque na mídia nacional. O mais comentado foi a dupla execução do casal de extrativistas e ambientalistas Maria do Espírito Santo da Silva e José Cláudio Ribeiro da Silva. Alguns jornais até chegaram a remeter ao emblemático caso da missionária estrangeira Doroth Stang, também morta por defender a floresta e afrontar interesses dos latifundiários. Mais emblemática ainda foi a luta de Chico Mendes, sempre citada como exemplo para o ambientalismo brasileiro. Acontece que o genocídio dos trabalhadores do campo e ativistas não é novidade. Acontece também que quando um caso desse repercute na imprensa, o governo federal afirma que tomará providências definitivas. Mas, na realidade, só estabelece ações paliativas. Da resistência em Canudos (e muito antes) a Eldorado dos Carajás, os conflitos agrários são resolvidos à bala e revelam um abismo social entre oprimido e opressor.
Que tal pensarmos além: Por que existem os latifundiários? Essa é uma pergunta que poderia ser respondida em uma boa quantidade de laudas. Sejamos concisos: o latifúndio é uma nefasta herança do período colonial e traz em seu seio a exploração dos trabalhadores em benefício do latifundiário. Riquezas são produzidas, não há como negar. Contudo, elas não são partilhadas entre os que, com seu suor, carregam a força produtiva. A riqueza é do latifundiário; o direito sobre a terra que ele sequer põe as mãos, também. Justo? Para o capitalismo, por que não seria? Esse modelo econômico permite, ou melhor, reitera o "direito" de promover injustiças sociais e ambientais, já que o latifúndio e sua "revolução verde" promovem práticas nada ecológicas.
No ano passado, a Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de Terra promoveu um referendo que conseguiu mais de meio milhão de votos favoráveis à restrição do latifúndio no Brasil. A proposta foi pautada na soberania alimentar e planificação das condições sociais no campo e na cidade. Mas, o referendo não foi um tema discutido pela mídia.
Na última semana, a presidenta Dilma Rousseff decretou o aumento do prazo de anistia para os desmatadores. Assim, ruralistas terão mais tempo para negociar a inclusão definitiva da anistia ao crime de desmate na legislação florestal. No mesmo dia, o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, se reuniu com autoridades paraenses para discutir medidas que extirpem a violência rural no estado. Além disso, a Força Nacional de Segurança ocupou o município de Nova Ipixuna por tempo indeterminado. Alguma controvérsia na postura do governo federal em relação às políticas ambientais?
Equacionar um dos mais graves problemas do meio ambiente no Brasil demanda uma postura radical. Sim, é preciso ir à raiz. Pensar em sustentabilidade baseada na concentração de terras e no subemprego é falacioso. Somente a reforma agrária promoverá um campo desprovido de exploração, propulsor de uma sociedade mais igualitária e constituído pela distribuição fundiária àqueles que lutam para cultivar sem destruir. Sem reforma agrária, "país rico é país sem pobreza" será só mais uma bandeira maculada pelo sangue daqueles que lutam em defesa da Terra.

Para refletir ouvindo:
Ordem e progresso - Beth Carvalho (Do CD Arte em Movimento - MST)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

1ª Virada Sustentável neste fim de semana em SP


Um final de semana marcado por atividades que demonstrem uma nova maneira de ver e viver a sustentabilidade. É o que prometem os organizadores da Virada Sustentável. Com programação totalmente gratuita, o objetivo é difundir entre a população da Grande São Paulo um modo de vida ecologicamente responsável e harmonioso. Serão mais de 300 atrações entre os dias 4 e 5 de junho.
A ideia foi inspirada na Virada Cultural, realizada anualmente na capital paulista.Temas como alimentação e trocas solidárias, fundamentados nos conceitos de arte e cultura, estarão entre as atividades promovidas em cerca de 60 localidades da maior região metropolitana do país.
A Virada Sustentável só peca pelo fato de sua programação não contemplar com muita atenção os bairros da periferia. A maioria absoluta das atrações está na região central de São Paulo e em bairros nobres.
A organização do evento promete gerir responsavelmente os resíduos resultantes da Virada e mitigar outros impactos ambientais.
Para conferir a programação completa, é só clicar aqui!